Três imagens não saem da minha cabeça desde que eu voltei da Amazônia.
A primeira é a floresta espelhada, com o rio cheio e a mata inteira refletida na água parada. A segunda é eu nadando em água completamente preta, sem enxergar o próprio pé. E a terceira é um nascer do sol com milhares de pássaros brancos cruzando o céu ao mesmo tempo.
As três são da minha viagem na época da cheia, e isso não é coincidência.
Eu fui duas vezes, em épocas opostas do ano, e este post reúne tudo o que eu aprendi nas duas viagens: como funciona um hotel de selva, quando ir, quantos dias ficar, o que levar e como são os passeios de verdade.
Eu conheci a região a convite da Iguana Tour, e os passeios que eu indico aqui você contrata por conta.
Resposta direta: como é uma viagem para a Amazônia
Na prática, você compra um pacote de hotel de selva. Ele inclui hospedagem dentro da floresta, todas as refeições, guia e uma programação fechada de passeios, com transporte saindo de Manaus.
Você não monta roteiro, não escolhe restaurante e não pega carro. Você entra num ritmo que já existe, com atividade às cinco da manhã e passeio depois do jantar, e volta três dias depois com a sensação de ter vivido uma semana.
Onde você vai dormir
Hotel de selva é uma pousada construída dentro da mata, com acesso só por barco. Tem categoria compartilhada, que é a mais em conta, e cabanas privativas em dois padrões diferentes.
A diferença entre as cabanas não é só conforto, é quantidade de bicho que entra pelo vão entre as tábuas. Eu dormi nas duas categorias e conto a diferença, junto com o banho de água escura do rio e a comida regional, em como é se hospedar em um hotel de selva na Amazônia.
Uma informação que muda o planejamento: não tinha sinal de celular, wi-fi nem internet na pousada onde eu fiquei.
Quando ir: existem duas Amazônias

Essa é a decisão mais importante da sua viagem, e quase ninguém explica direito.
O rio sobe e desce vários metros ao longo do ano. No pico da cheia, entre maio e julho, a mata fica alagada e você navega de canoa por dentro dela. Na seca, entre setembro e novembro, aparecem praias de areia e o chão que estava submerso vira trilha.
Não existe época ruim, existe época errada para o que você quer fazer. Comparo as duas, com o que eu vi em cada uma, em melhor época para ir à Amazônia.
Quantos dias ficar
Três dias e duas noites. É o formato que eu fiz e o que eu recomendo para quem vai pela primeira vez, porque ele entrega todas as atividades de selva sem sobra.
Quatro dias fazem sentido se você quiser incluir Manaus cidade. O dia a dia completo, hora a hora, está em roteiro de 3 dias na Amazônia.
O que levar
Mochila, não mala. Tem escada, passarela de madeira e barranco no caminho, e eu aprendi isso carregando mala de rodinha no braço, no calor.
Repelente em quantidade, lanterna de cabeça, toalha de secagem rápida e dinheiro em espécie são os itens que mais fazem falta. A lista completa, com a parte de vacina e remédios, está em o que levar para a Amazônia.
Os passeios, um por um
Focagem de jacaré e pesca de piranha
Os dois que mais assustam e os dois mais tranquilos na prática. Na focagem, o guia procura o brilho dos olhos dos jacarés com a lanterna, à noite, de canoa. Na pesca, você bate uma vara de bambu na água com frango de isca e perde para a piranha na maioria das vezes.
Aproveitei esse post para corrigir uma informação errada que eu ouvi do guia sobre quais jacarés vivem na Amazônia: focagem de jacaré e pesca de piranha.
Trilha de três horas na floresta
Terreno plano, ritmo lento, e o que cansa é o calor. O valor da trilha não está na paisagem, está no que o guia mostra a um metro de você: sapopema que funciona como telefone, larva que tem gosto de coco e formigas de cheiro forte.
Tudo em trilha na selva amazônica.
A noite dormindo em rede na mata
A atividade que transforma a viagem. Você monta a própria rede, janta na floresta e passa a noite ouvindo a mata funcionar. Eu fiz duas vezes e não dormi em nenhuma delas.
O relato completo, com a parte que ninguém conta sobre o banheiro, está em dormir na selva amazônica em rede.
Visita a uma casa de ribeirinho
Para mim, a parte mais importante do roteiro. Conheci a dona Zila, que faz sabonete, óleo e repelente com a andiroba do próprio quintal. Comprar direto dela é o jeito mais direto de o seu dinheiro ficar na comunidade.
Comida e restrições alimentares
Comida regional, muito peixe, servida em bufê no salão coletivo, com horário fixo. Pirarucu, tambaqui e tucunaré aparecem o tempo todo.
Eu sou ovolactovegetariana e me surpreendi: existe formulário de restrição alimentar e a cozinha prepara prato separado. Como isso funciona na prática, e o que eu diria para quem é vegana, está em Amazônia para vegetarianos.
Segurança e saúde
A vacina contra febre amarela é recomendada para quem viaja para a região amazônica e precisa ser tomada com pelo menos dez dias de antecedência. Converse com um serviço de saúde do viajante antes de embarcar.
Sobre os bichos: o risco real da viagem é picada de inseto, não jacaré nem piranha. Repelente e mosquiteiro resolvem a maior parte, e o banho de rio só acontece onde o guia libera.
Sobre quanto custa
Não publico valores aqui porque preço de pacote muda o tempo todo e um post com número velho engana mais do que ajuda.
O que vale saber é a lógica: o pacote de selva é fechado e cobre quase tudo, então o seu gasto extra durante a viagem é pequeno. Bebida alcoólica e refrigerante ficam de fora, anotados numa lista e acertados na saída. A passagem aérea até Manaus costuma pesar mais na conta do que o pacote em si, então comprar com antecedência muda mais o seu orçamento do que escolher a pousada mais barata.
Os erros que eu vi gente cometer
- Levar mala de rodinha. O meu próprio erro, e ele custa caro em escada
- Escolher o mês pelo preço da passagem sem saber se vai encontrar trilha ou floresta alagada
- Marcar voo de volta cedo no último dia, esquecendo as horas de deslocamento até Manaus
- Economizar no repelente. É o item que você vai querer ter trazido em dobro
- Achar que é viagem de descanso. Não é
Vale a pena?
Eu voltei uma segunda vez, em uma época completamente diferente, para ver o mesmo lugar com outra cara. Isso responde melhor que qualquer parágrafo.
A Amazônia é uma viagem simples de estrutura e enorme de experiência. Se você topa dormir simples, suar muito e conviver com bicho, é das viagens mais marcantes que você pode fazer dentro do Brasil.
Perguntas frequentes
O que é preciso para viajar para a Amazônia?
Passagem até Manaus, um pacote de hotel de selva com agência local e a vacina de febre amarela em dia. O resto da logística, incluindo transporte de Manaus até a pousada, costuma vir dentro do pacote.
Qual a melhor época para ir à Amazônia?
Entre setembro e novembro se você quer trilha e praia de rio, e entre maio e julho se você quer navegar pela floresta alagada.
Quantos dias ficar na Amazônia?
Três dias e duas noites dão conta de todas as atividades principais. Quatro dias fazem sentido para incluir Manaus cidade.
É perigoso ir para a Amazônia?
O risco real é picada de inseto, e por isso repelente e mosquiteiro são levados a sério. Os passeios com animais são conduzidos por guias locais e o banho de rio acontece só nas áreas liberadas.
Precisa saber nadar?
Não. Os passeios de barco usam colete e o banho de rio é opcional, em área rasa.
Tem internet na floresta?
Na pousada onde eu fiquei não tinha sinal de celular, wi-fi nem internet. Avise a sua família antes de embarcar.
O vlog completo da viagem
Antes de fechar a sua viagem
Passeios e pacotes na Amazônia: eu fiz as minhas duas viagens com a Iguana Tour, agência de Manaus que opera os pacotes de selva com guias locais. Fale com eles no Instagram da Iguana Tour e use o cupom ANDARILHAS na hora de fechar.
Onde dormir em Manaus antes de subir o rio: eu fiquei no Local Hostel, no Centro, pertinho do Teatro Amazonas. Eles também têm cupom ANDARILHAS para leitoras daqui.