Todo mundo foca nos passeios do Atacama, e faz sentido, porque são eles que justificam a viagem. Mas San Pedro de Atacama, a cidade base de onde tudo sai, merece mais atenção do que normalmente recebe.
É um vilarejo pequenininho, de ruas de terra e construções de adobe, com um charme que você não espera encontrar no meio do deserto. E nos momentos entre um passeio e outro, tem muito o que fazer por ali.
Entendendo a cidade
San Pedro tem basicamente duas ruas que importam para o turista: a Calle Caracoles e a Calle Toconao. A Caracoles é a principal, com restaurantes, bares, lojinhas de artesanato e agências de passeio. A Toconao cruza a Caracoles e é onde ficam as casas de câmbio e a Farmácia Cruz Verde.
Não tem Uber em San Pedro. A cidade inteira é feita a pé, e isso é uma das coisas mais gostosas dela: você sai do hotel e em 5 minutos está no meio de tudo.
Por isso a localização da hospedagem importa tanto. Fique o mais perto possível da Caracoles. Cada 100 metros de distância que você ganhar de desconto no hotel vai cobrar o preço de volta nas caminhadas de areia, com frio, depois de um dia inteiro de passeio a 4.000 metros de altitude.
Como chegar em San Pedro de Atacama
O aeroporto mais próximo é o El Loa, em Calama, a cerca de 100 km de distância. De lá até San Pedro o trajeto dura aproximadamente 1h30 de transfer por estrada asfaltada.
No desembarque do aeroporto você encontra empresas de transfer com guichês na área de chegada. A Araya Atacama também oferece o transfer do aeroporto para San Pedro, o que é muito prático: você fecha tudo com a mesma agência, chega em Calama e já tem alguém esperando por você. Sem estresse de primeira chegada num lugar desconhecido.
As agências de passeio no centrinho
Quando você chegar na Rua Caracoles, vai encontrar dezenas de agências oferecendo passeios. E sim, os preços são mais baratos do que os de uma agência premium. É tentador.
Mas deixa eu te contar o que aconteceu comigo na primeira vez que fui ao Atacama e contratei numa dessas agências da rua.
Era réveillon. Tinha reservado o passeio dos Gêiseres del Tatio, que sai às 4h da manhã. Acordei no horário, fui para a van, esperei. Cinco da manhã, nada. Seis da manhã, apareceu alguém no meu hostel para me avisar que o guia tinha bebido demais na virada e simplesmente não ia aparecer. A agência tentou remarcar, mas eu não tinha outro dia disponível. Fui embora do Atacama sem conhecer os Gêiseres na primeira viagem.
O preço mais barato tem um custo que você só descobre na hora errada.
Na segunda viagem fui com a Araya Atacama, que é a agência que indico hoje. É uma agência premium voltada para brasileiros, com atendimento 100% em português, frota própria, grupos de no máximo 10 pessoas e guias certificados. Não é a opção mais barata da Caracoles, e não pretende ser. É para quem quer garantia de que o passeio vai acontecer, com qualidade e sem surpresa desagradável.
Use o cupom ANDARILHAS para desconto. Contato em arayaatacama.com ou @araya.atacama.
O que fazer no centrinho
Passear a pé pela Caracoles: parece simples mas é genuinamente agradável. As construções de adobe, as lojinhas coloridas, o vulcão Licancabur ao fundo, a luz dourada do fim de tarde. Você pode passar horas ali sem forçar nada.
Visitar a Igreja de San Pedro: fica na praça central, na rua Gustavo Le Paige, paralela à Caracoles. É a segunda igreja mais antiga do Chile, construída no século XVII pelos colonizadores espanhóis e declarada Monumento Nacional em 1951. Vale uma parada obrigatória. A construção é toda em adobe, com teto feito de madeira de cacto e couro de lhama no lugar de pregos. Por fora é branca e simples. Por dentro é colorida e surpreende.
Museu Arqueológico Gustavo Le Paige: para quem se interessa por história e cultura atacamenha. Fica próximo à praça e tem um acervo interessante sobre os povos originários da região.
Pukará de Quitor: um Monumento Nacional do Chile construído no século XII, a 3 km do centrinho, com mais de 200 estruturas de pedra distribuídas por 2,5 hectares e uma vista linda do deserto. Uma boa opção para o dia mais tranquilo do roteiro.
Fazer compras na feira artesanal: fica perto da igreja, na praça central. É onde você vai encontrar as roupas típicas coloridas, aquelas bem andinas com estampas vibrantes, que são o souvenir clássico do Atacama. São de lã, são bonitas e ainda fazem sentido como lembrança porque o frio que você vai passar nos passeios vai fazer você querer uma peça dessas de verdade.
Tomar sorvete na Babалú: a sorveteria mais famosa do centrinho, com sabores típicos da região como chañar, algarrobo e quinoa. Vale muito no calor da tarde.
Onde comer em San Pedro
O centrinho tem muito restaurante, mas a qualidade varia bastante. A regra que aprendi é: não avalie pela aparência. Muitos lugares parecem simples por fora e surpreendem pela comida.
Adobe: o mais famoso e mais recomendado de San Pedro. Fica na Caracoles e tem um ambiente lindo, com decoração rústica e mesas à luz de vela. Cardápio variado, comida boa. É o restaurante que aparece na lista de todo mundo, e merece mesmo.
Empório Andino: boa pedida para refeições mais tranquilas, com ingredientes locais e um clima aconchegante.
Jardín Meraki: tem um jardão gostoso para comer ao ar livre. Recomendo ir de dia ou no início da noite porque o restaurante é aberto e o frio bate quando o sol some.
El Charrúa: pizza de massa fina e muito saborosa. Um dos melhores da cidade. Costuma ter fila porque o espaço é pequeno, mas vale esperar.
La Casona: ambiente descontraído, bom para jantar sem cerimônia.
Las Delicias de Carmen: fui e não recomendo com entusiasmo. Pode ser que eu tenha pedido errado, porque pedi massa e a especialidade parece ser carne. Mas saí achando caro para o que entregou.
A vida noturna (ou a falta dela)
Vou ser honesta: San Pedro não é destino de balada. Se você está indo atrás de vida noturna agitada, vai se decepcionar.
O que existe é agradável mas modesto: restaurantes com música ao vivo nos fins de semana, alguns bares na Caracoles para tomar uma cerveja depois do jantar, e pouca coisa funcionando depois da meia-noite.
Tem uma lei chilena que vale saber: para pedir bebida alcoólica em qualquer estabelecimento, você precisa pedir comida também. É lei nacional e é levada a sério. A única exceção é o ChelaCabur, o bar mais popular do centrinho, onde você pode tomar cerveja sem pedir nada para comer.
Os estabelecimentos fecham entre meia-noite e 1h na maioria dos dias. Sexta e sábado alguns ficam abertos até as 2h.
Para quem quiser um pouco mais de agito depois que os bares fecham, tem a chamada “la playita”, uma área à margem do rio nos limites da cidade onde as pessoas se reúnem de madrugada com bebidas e instrumentos musicais. É informal, descolado e muito mais atacamenho do que qualquer bar.
Mas honestamente? Depois de um dia inteiro de passeio em alta altitude, a maioria das pessoas chega no jantar com disposição para comer bem, tomar uma bebida e dormir. E não tem nada errado nisso.
Câmbio e dinheiro no centrinho
As casas de câmbio ficam na Calle Toconao, perto da esquina com a Cruz Verde. Se você não trocou dinheiro em Santiago, aqui é onde você faz. A taxa costuma ser próxima da oficial para o real brasileiro.
Lembre de levar pesos para os restaurantes e lojinhas menores, porque nem todos aceitam cartão. E se quiser a isenção do IVA de 19% na hospedagem, pague em dólares com cartão de crédito internacional apresentando passaporte.
Qualquer dúvida, me chama lá no Instagram @andarilhas. Boa viagem!