Por muito tempo o Atacama ficou na minha lista de sonhos daqueles que a gente acha que nunca vai realizar. Sabe quando você vê aquelas fotos de lagoas coloridas, vulcões nevados, céu estrelado do jeito que você nunca viu na vida, e pensa “isso parece inalcançável”? Era exatamente assim que eu enxergava o Atacama.

Só que eu fui. Três vezes. E posso te dizer com toda a certeza: é muito mais acessível do que parece, e é um dos destinos mais incríveis do planeta.

Se você gosta de ecoturismo e natureza, o Atacama tem que entrar na sua lista de prioridades. E olha, nem precisa ir longe: fica no Chile, dá pra combinar com Santiago na mesma viagem, os voos não são nada complexos e você não precisa falar espanhol pra se virar. Pra brasileira, é quase um destino de quintal com paisagens de outro planeta.

Esse post é tudo o que eu queria ter lido antes de embarcar. Com os erros que cometi, as descobertas que fiz e as dicas que aprendi na marra.

Se preferir assistir em vídeo, tenho um completão no Youtube:


Por que o Atacama vai te fazer se sentir um grão de areia (e isso é lindo)

O que mais me marca no Atacama é a sensação de ser minúscula. Aquele sentimento de ecoturismo que te deixa pequenininha diante de algo muito maior do que você. Eu amo isso, e o Atacama entrega de um jeito que poucos destinos no mundo conseguem.

Meu passeio favorito das duas viagens foi o das Lagunas Altiplânicas e Piedras Rojas. Lagoas de cores que parecem Photoshop, vulcões ao fundo, silêncio absoluto. Eu me senti literalmente um grão de areia no meio de tudo aquilo, e saí de lá com aquela sensação gostosa de que o mundo é muito maior do que os nossos problemas do dia a dia.

O Atacama é o deserto mais árido e de maior altitude do mundo, localizado no norte do Chile. São mais de 100 mil km² de paisagens que parecem de outro planeta: salares, gêiseres, lagunas coloridas, vulcões, formações rochosas que mudam de cor conforme o sol se move e, de noite, o céu mais estrelado que você vai ver na vida.


Quantos dias você precisa de verdade

Em 5 dias você faz quase tudo o que o Atacama tem de melhor. Em 6 dias você faz tudo com calma e ainda tem tempo para passear no centrinho de San Pedro sem pressa. Menos que 4 dias de passeios você vai embora com aquela sensação chata de que não deu tempo.

Se quiser combinar com o Salar de Uyuni, na Bolívia, reserve mais 3 ou 4 dias. É um dos combos mais épicos da América do Sul.


Melhor época para ir

A boa notícia é que o Atacama pode ser visitado o ano todo. Mas cada época tem um porém:

Outono (março a maio) e primavera (setembro a novembro) são as melhores épocas. Temperatura mais amena, céu limpo e menos turistas. Muitas vezes os preços de hospedagem também são melhores.

Verão (dezembro a fevereiro) é alta temporada. Mais movimento, preços mais altos e é a única época em que pode chover, por causa do fenômeno do Inverno Altiplânico. A chuva costuma ser rápida, mas pode atrapalhar o tour astronômico e fechar alguns passeios de altitude.

Inverno (junho a agosto) faz muito frio, especialmente de madrugada. Nos Gêiseres del Tatio a sensação térmica pode chegar a -12°C. Por outro lado, você vê as montanhas cobertas de neve, que é um espetáculo à parte.

Dica importante: independente do mês que você for, evite o período de lua cheia se o tour astronômico for prioridade. A lua clareia tanto o céu que as estrelas somem. Antes de fechar as datas da viagem, confira o calendário lunar.


Como chegar ao Atacama saindo do Brasil

O trajeto é: voo do Brasil para Santiago, voo de Santiago para Calama e transfer de Calama para San Pedro de Atacama (cerca de 1h30).

Sobre o voo para Calama: as principais companhias que operam o trecho Santiago-Calama são a Latam e a Sky Airlines. Se você comprar tudo com a Latam num único bilhete (Brasil > Calama com conexão em Santiago), a companhia fica responsável pela sua conexão em caso de atraso. Se comprar separado pela Sky, o preço pode ser mais barato mas o risco fica por sua conta.

O detalhe que quase ninguém conta: verifique com antecedência o horário do último transfer disponível na data da sua chegada. Os horários variam por empresa e por época do ano, e em datas especiais como 24 e 31 de dezembro os serviços são muito mais restritos. Aprendi isso da pior forma possível no réveillon. A maioria das hospedagens também fecha o check-in às 20h, então planejar a chegada de dia é sempre a escolha mais segura.

Parar em Santiago antes de ir para o Atacama é ótima ideia. A capital vale pelo menos dois dias e é o melhor lugar para trocar dinheiro e comprar chip de celular com bom custo-benefício.


Onde se hospedar em San Pedro de Atacama

San Pedro é um vilarejo pequenininho. Tudo que você precisa fica na Rua Caracoles e arredores: restaurantes, agências de passeio, casas de câmbio, farmácia e mercado.

A dica mais importante: fique hospedada o mais perto possível do centrinho. Parece óbvio, mas muita gente escolhe uma hospedagem mais longe por ser mais barata e só entende o problema quando está caminhando 15 minutos no chão de terra, com vento, frio e areia, depois de um dia inteiro de passeio. A 2.400 metros de altitude, essa caminhada cansa bem mais do que parece.

Nas minhas duas viagens fiquei em hospedagens bem diferentes e posso recomendar as duas. O La Casa de Don Tomás é um hotel charmoso, bem localizado, com uma energia aconchegante, ótimo para quem quer conforto sem exagero. Já o Cumbres Atacama é uma opção mais sofisticada, com estrutura linda e visual incrível para o deserto. Os dois ficam em boas localizações no centrinho de San Pedro.

Dica financeira que pode te economizar muito: Estrangeiros que ficam menos de 90 dias no Chile podem ter isenção do IVA (imposto de 19%) na hospedagem, se pagarem em dólares ou cartão de crédito internacional apresentando passaporte e o papel de imigração que você recebe na entrada do país. Atenção: cartões pré-pagos como Wise e Nomad não garantem a isenção. Nem toda hospedagem oferece esse benefício, então confirme com o hotel antes de reservar.


Altitude: o que esperar do seu corpo

San Pedro fica a 2.400 metros. Já dá pra sentir o corpo um pouco mais lento e a respiração mais curta nos primeiros dias. Nada que vai estragar a viagem, mas é bom estar preparada.

Alguns passeios sobem muito mais: os Gêiseres del Tatio ficam a 4.300 metros, as Lagunas Altiplânicas passam dos 4.000 metros. Nessas altitudes o impacto no corpo é bem mais intenso.

Tenho um exemplo muito pessoal disso: estava gravando conteúdo nas Lagunas Altiplânicas e precisei correr até a van para não atrasar o grupo. Um trajeto minúsculo, tipo 50 metros. Me deu um enjoo e uma falta de ar que demorou uns bons minutos para passar. E não era minha primeira vez no Atacama.

A regra de ouro: nos primeiros dias, faça os passeios de menor altitude. Deixe os Gêiseres e as Lagunas Altiplânicas para o final da viagem, quando o corpo já estiver aclimatado. Beba muita água, evite álcool nos primeiros dias e vá devagar.


Roteiro de 6 dias no Atacama: o que eu fiz e o que eu indicaria

Esse foi mais ou menos o roteiro que segui e que eu recomendo para quem quer aproveitar ao máximo sem morrer de cansaço:

Dia 1: Vale da Lua, Laguna Cejar, Laguna Tebinquinche e tour astronômico à noite. Sim, dá para combinar o passeio diurno com o astronômico na mesma noite porque um é de manhã/tarde e o outro começa depois do jantar. Ótima forma de aproveitar o primeiro dia sem desperdiçar nenhuma hora.

Dia 2: Termas de Puritama, Lagunas Escondidas de Baltinache e Cordilheira de Sal com o famoso Magic Bus. Um dia mais variado, com aquelas piscinas naturais de água quente que você não espera encontrar no meio do deserto.

Dia 3: Lagunas Altiplânicas e Piedras Rojas. Meu favorito absoluto. Guarda esse para quando o corpo já estiver mais aclimatado porque a altitude é bem mais alta aqui.

Dia 4: Gêiseres del Tatio. Acorda antes das 4h da manhã para chegar lá no nascer do sol, quando as colunas de vapor são mais intensas. Faz um frio que assusta, mas é um espetáculo que não tem comparação. Deixar para o quarto dia é a escolha certa, o corpo já está pronto.

Dia 5: Salar de Tara e Valle de Marte. Um dos passeios mais distantes e de maior altitude, mas para quem aguentou até aqui, a paisagem recompensa cada segundo.

Dia 6: Passeio de balão de manhã cedo e tarde livre para explorar o centrinho de San Pedro. O balão sobe ainda na madrugada e você vê o deserto inteiro lá de cima, com um frio que corta, mas com uma vista que não tem preço. É um passeio diferente, que nem todo mundo faz, e exatamente por isso vale muito a pena.

O que eu não fiz: os trekkings para os vulcões. A Araya oferece essa experiência, mas é bem puxado fisicamente e exige preparo. Se esse for o seu objetivo, vale conversar com a agência antes de fechar o roteiro.


Por que eu indico contratar uma agência (e aprendi isso do jeito difícil)

Na minha primeira viagem fui no modo mochileira. Cheguei em San Pedro, fui até a Rua Caracoles e reservei os passeios na hora, nas agências menores, tentando economizar.

Funcionou, até que não funcionou.

Era réveillon. Tinha reservado o passeio dos Gêiseres del Tatio, que sai às 4 da manhã. Acordei no horário, fiquei esperando o guia no hostel. Cinco da manhã, nada. Seis da manhã apareceu uma pessoa me informando que o guia tinha bebido demais na virada e o passeio não ia acontecer. A agência tentou remarcar, mas eu não tinha outro dia disponível. Fui embora do Atacama sem conhecer os Gêiseres.

Na segunda viagem fui com a Araya Atacama, e a diferença foi total.

A Araya é uma agência premium voltada para o público brasileiro, que atende exclusivamente o nosso mercado desde 2017. Não é a opção mais barata do Atacama, e não pretende ser: é para quem quer uma experiência de verdade, sem abrir mão de nada. Frota própria (não terceirizam absolutamente nada), grupos de no máximo 10 pessoas por veículo, guias certificados que falam português, refeições feitas pela própria equipe deles durante os passeios e vans novas com ar-condicionado. Os horários são pensados para chegar antes dos outros grupos, para você aproveitar os lugares sem multidão.

O pagamento pode ser feito antes de embarcar via Pix ou cartão em até 3x sem juros, pela empresa brasileira deles. Você chega em San Pedro com tudo resolvido e zero estresse.

Use o cupom ANDARILHAS para garantir desconto. Contato pelo site arayaatacama.com ou pelo Instagram @araya.atacama.


O que levar na mala

O clima do Atacama é extremo. Prepare a mala para calor de 40°C durante o dia e frio abaixo de zero de madrugada, às vezes no mesmo dia.

Lista essencial: roupa térmica (calça e camiseta), fleece ou moletom, casaco de inverno pesado, gorro, luvas, cachecol, tênis confortável para caminhada, protetor solar de fator alto, protetor labial, hidratante corporal e gel nasal (o clima seco resseca muito as narinas).

Um detalhe que quase ninguém menciona: não leve roupa preta. A areia gruda em tudo e roupa escura fica imunda rapidinho.


Câmbio, chip e dinheiro

A moeda local é o peso chileno. O melhor lugar para trocar é Santiago, onde o câmbio costuma ser mais vantajoso. Se não trocar lá, tem casas de câmbio no centrinho de San Pedro, a maioria na Rua Toconao.

Para chip, também é mais fácil comprar em Santiago ou levar um chip internacional do Brasil. Em San Pedro o sinal é irregular dependendo do lugar.


Quanto custa viajar para o Atacama

Estimativa para 6 dias, sem contar a passagem aérea:

Perfil intermediário: hotel bem localizado como o La Casa de Don Tomás, pacote completo de passeios com a Araya, alimentação variada. Total aproximado: R$7.000 a R$9.000.

Perfil premium: hotel sofisticado como o Cumbres Atacama, passeios privativos com a Araya, jantares mais elaborados. Total aproximado: R$12.000 a R$18.000+.

Valores aproximados e sujeitos a variação conforme câmbio e época do ano.


Resumo rápido para não esquecer nada

Escolha um voo que chegue em Calama até as 17h. Reserve os passeios antes de embarcar. Fique hospedada perto do centrinho. Aclimate nos primeiros dias com passeios de baixa altitude. Deixe Gêiseres e Lagunas Altiplânicas para o final. Evite lua cheia se o tour astronômico for prioridade. Pergunte sobre a isenção do IVA na hospedagem. Não leve roupa preta.

Se você gosta de ecoturismo e natureza, o Atacama é imprescindível. É um dos destinos mais incríveis do planeta, mais acessível do que parece e pertinho do Brasil. Não deixa pra depois.

Qualquer dúvida, me chama lá no Instagram. Boa viagem!

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