Eu treino. Eu não sou sedentária. E mesmo assim, na minha primeira subida à Montanha Colorida, eu não cheguei ao topo.
Não foi falta de preparo físico. Foi falta de ar. 😰
Essa é a primeira coisa que você precisa entender sobre o mal de altitude: ele não respeita currículo de academia. A pessoa mais atlética do grupo pode passar mal enquanto a mais sedentária sobe tranquila. É loteria genética misturada com preparação — e a preparação é a única parte que está no seu controle.
Depois de três viagens ao Peru, esse é tudo o que eu aprendi. 🏔️
O que é o soroche (e por que ele acontece)
Cusco fica a 3.400 metros acima do nível do mar. Nessa altitude o ar tem menos oxigênio disponível, e o seu corpo, acostumado ao nível do mar, simplesmente não conta com isso.
O resultado é o que os peruanos chamam de soroche, ou mal de altitude. Os sintomas mais comuns:
- 🤕 Dor de cabeça (o mais frequente de todos)
- 😮💨 Falta de ar em qualquer esforço, até subir escada
- 🤢 Enjoo e, em casos mais fortes, vômito
- 😵 Tontura e sensação de moleza
- 😴 Dificuldade pra dormir na primeira noite
- 💓 Coração acelerado em repouso
E não são só Cusco e as montanhas: no roteiro clássico do Peru você passa por altitudes bem diferentes ao longo dos dias, e o corpo sente cada mudança.
⚠️ Um aviso importante: se os sintomas forem além do desconforto — confusão mental, falta de ar intensa em repouso, vômito que não passa —, isso não é “soroche normal”. Procure atendimento médico na hora. Cusco tem estrutura pra isso, e a maioria dos hotéis fornece oxigênio.
Minha experiência real nas três viagens
Vou te contar sem romantizar, porque eu acho que ajuda mais. 💬
Em Cusco eu nunca passei mal. Nas três viagens, nenhuma dor de cabeça significativa, nenhum enjoo. O que eu senti foi o fôlego curto: qualquer ladeirinha me deixava ofegante, e teve uma subida pra chegar num restaurante que quase me matou. Ali eu ri, mas entendi o recado.
Na Montanha Colorida eu passei muito mal. Foi enjoo, dor de cabeça latejando e falta de ar a cada passo — literalmente contando até dez, parando, contando de novo. Voltei sem chegar ao mirante.
A diferença entre os dois cenários? Altitude e preparação. A Vinicunca tem 5.036 metros, contra os 3.400 de Cusco. E naquela primeira vez eu tinha ido com uma agência barata, sem oxigênio no veículo e sem suporte nenhum.
As 8 coisas que fazem diferença de verdade
1️⃣ Reserve o primeiro dia pra não fazer nada
Esse é o conselho mais importante da lista, e é o que mais gente ignora por ansiedade. Chegou em Cusco: caminhe devagar pelo centro, sente numa praça, coma leve. Nada de passeio pesado.
2️⃣ Coloque os passeios altos no FINAL do roteiro
Montanha Colorida, lagoas glaciais e qualquer coisa acima de 4.500 metros ficam pros últimos dias, quando seu corpo já se adaptou. Fazer a Vinicunca no segundo dia de viagem é praticamente pedir pra passar mal.
3️⃣ Use o Vale Sagrado a seu favor
📉 Aqui vai a informação que quase nenhum blog dá: o Vale Sagrado é mais baixo que Cusco. Urubamba fica em torno de 2.870 metros, uns 500 metros abaixo da cidade. Dormir no vale nos primeiros dias aclimata melhor do que ficar parada em Cusco. Eu fiz isso e senti a diferença no corpo.
4️⃣ Beba muita água, e nada de álcool
Hidratação é o item mais barato e mais eficiente da lista. E aquele pisco sour de boas-vindas na primeira noite? Deixa pro final da viagem. Álcool na altitude bate diferente e piora tudo.
5️⃣ Coma leve nos primeiros dias
Digestão pesada rouba energia que seu corpo está usando pra se adaptar. Nada de banquete na chegada.
6️⃣ Folha de coca
🍃 Chá de coca, folha pra mascar, bala de coca — está em todo lugar em Cusco, é cultura local e ajuda no desconforto. Não faz milagre e não substitui aclimatação, mas alivia.
7️⃣ Converse com seu médico ANTES de viajar
💊 Existem medicamentos para mal de altitude, e nas farmácias peruanas se vendem as famosas sorojchi pills. Mas isso é conversa pro seu médico, não pro meu blog — algumas dessas medicações têm contraindicação e interagem com outros remédios. Leve também o que você já usa normalmente: analgésico, antináusea, e a sua farmacinha de sempre.
8️⃣ Suba devagar. Devagar mesmo
Na trilha, quem sobe rápido é quem passa mal. Passo curto, respiração consciente, sem competir com ninguém. Não tem prêmio pra quem chega primeiro.
Sobre o cavalo: sem culpa nenhuma 🐴
Nos passeios de montanha existe a opção de subir a cavalo, e eu quero falar disso com carinho porque tem gente que se sente derrotada em considerar.
Eu subi a cavalo. Nas duas montanhas que fiz. E foi assim que eu finalmente cheguei aonde queria chegar, depois de ter voltado no meio do caminho na primeira tentativa a pé.
Confesso que bate um aperto no coração — eu tenho dó dos bichinhos e penso no peso que eles carregam. Por isso o meu combinado é duplo: pegue o cavalo sem culpa se o corpo pedir, e escolha uma agência que trate bem os animais, sem sobrecarregar. Vale perguntar antes; agência séria responde na hora.
Leve dinheiro trocado em soles, porque não existe maquininha de cartão a 4.800 metros. E saiba que o cavalo não vai até o mirante final — o último trecho é a pé de qualquer jeito.
O erro que eu cometi e não repito
Na primeira vez eu escolhi a agência mais barata. A van não tinha oxigênio, não havia suporte nenhum e o guia não parecia notar quem estava ficando pra trás.
Eu fiquei pra trás. E voltei sem a foto, sem o mirante, sem nada. A economia de alguns dólares me custou o passeio inteiro. 💔
Hoje eu vejo agência em passeio de alta altitude como item de segurança, não de conforto. Eu quero oxigênio no veículo, guia que percebe quando alguém está mal e grupo pequeno o suficiente pra ninguém sumir no meio da trilha.
✨ Eu vou com a Araya Expedições — grupos pequenos, guias certificados, atendimento em português (o que faz toda diferença quando você está mal e precisa se explicar) e refeições incluídas. Não é a mais barata; é a que me faz chegar bem.
🎟️ Cupom ANDARILHAS para desconto. Instagram: @araya.expedicoes.
Duas coisas que eu não deixo de levar 🧳
🛡️ Seguro viagem. Esse aqui não é conselho genérico de blogueira: mal de altitude leva gente ao pronto-socorro em Cusco toda semana, e consulta em outro país sem cobertura sai caríssima. Eu uso a Assist365, cupom ANDARILHAS.
📱 Chip de internet. Pra achar farmácia, chamar carro e conseguir falar com a seguradora se precisar. Eu uso o eSIM da Holafly, cupom ANDARILHAS.
E se mesmo assim eu passar mal?
Não force. Sério.
Volte pro hotel, deite, hidrate e peça oxigênio na recepção. Um dia de descanso pode salvar os outros cinco da sua viagem — enquanto insistir num passeio pesado passando mal costuma custar dois ou três dias.
E se você não chegar ao topo de alguma coisa, respire: eu não cheguei na primeira vez. Voltei duas vezes depois, e a vista continuava lá, esperando. 💙
👉 Veja também: roteiro de Cusco de 5 e 7 dias e Montanha Colorida: vale a pena?
Qualquer dúvida, me chama lá no Instagram @andarilhas. Boa viagem!