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Eu viajo muito com a minha mãe, e aprendi uma coisa que nenhum roteiro da internet ensina: o roteiro tem que caber no dia dela, não o contrário.

Tem dia em que ela está ótima e encara tudo. Tem dia em que ela está mais devagar. E a viagem só funciona quando você aceita isso desde o começo, em vez de tentar cumprir a lista.

Buenos Aires é uma cidade ótima para essa viagem — é plana, tem muita coisa boa em pouco espaço, e a maior parte dos programas é sentada, coberta ou curta. Mas tem armadilhas específicas, e é sobre elas que eu quero falar.

A regra que mudou as nossas viagens

Combine o dia de manhã, não na véspera.

A gente para no café e decide ali: hoje é dia de andar ou dia de sentar? Isso evita a frustração dos dois lados — a minha, de reorganizar tudo às pressas, e a dela, de sentir que está atrapalhando.

E quando ela diz que não quer ir a alguma coisa, a gente não vai. Aconteceu com o Teatro Colón: ela não quis, e riscamos. Ninguém morreu por isso, e o dia rendeu mais.

Isso parece óbvio escrito, mas na hora dá aquela pontinha de “mas a gente veio de tão longe”. Ignore essa pontinha.

As armadilhas de Buenos Aires

Três coisas que atrapalham mais do que parece:

Pedra irregular. Caminito, Cemitério da Recoleta, San Telmo e as ruas de Colonia del Sacramento são de pedra desnivelada. Para quem tem dor no joelho, esse piso é o vilão do dia — mais até que a distância. Vá devagar, calçado bom, e não empilhe dois desses no mesmo dia.

Frio. Buenos Aires no inverno é úmida, e frio úmido piora dor de articulação. Se a sua mãe tem joelho ruim e a viagem é em julho, leve isso em conta ao montar o dia e prefira programas cobertos à tarde.

Distâncias que parecem curtas no mapa. A cidade é enganosa. O que parece uma caminhadinha entre dois pontos vira meia hora. Some isso ao longo do dia e você entende por que todo mundo cansa.

Os programas que funcionaram melhor

Show de tango. Foi o auge da viagem para ela. Você chega de transfer, senta, janta, assiste ao espetáculo e volta de transfer. Zero esforço físico, muita emoção. Se você vai fazer um programa especial com a sua mãe em Buenos Aires, faça esse — eu comparo as duas casas em Señor Tango ou Madero Tango.

Vinícola. Um dia inteiro sentada, comendo bem, no campo. A Bodega Gamboa tem transfer que pega no hotel e um almoço de várias etapas. Ela adorou, e aprovou a costela, o que não é fácil.

Museus. MALBA e Belas Artes são cobertos, aquecidos, têm banco para sentar e ficam perto um do outro. Perfeito para dia de ritmo lento.

Bar de empanada com vinho. Esse foi pedido dela, textualmente: “quero um bar de empanada e vinho”. A gente foi, e virou um dos melhores momentos da viagem. Guarde espaço no roteiro para o que ela pede, não só para o que você planejou.

City photo tour. Esse eu recomendo com um argumento específico: viajando com a mãe, alguém está sempre segurando o celular, e vocês nunca aparecem juntas. Com fotógrafo, vocês voltam com fotos das duas. Escrevi sobre ele em city tour vale a pena?.

O que eu faria diferente

Não colocaria dois passeios longos seguidos. Um bate-volta cansa mais do que parece, e o dia seguinte precisa ser leve.

Reservaria mais transfers. Esperar carro na rua no frio é o que mais desgasta. É dinheiro bem gasto.

Aceitaria mais paradas de café. Buenos Aires tem confeitaria linda em cada esquina, e sentar meia hora não é perder tempo — é o que permite continuar.

Sobre o bate-volta a Colonia

Fizemos a travessia de balsa para o Uruguai e valeu muito. Duas observações para quem vai com a mãe:

Eu escolhi a categoria mais confortável do barco, e faria de novo. É uma hora e quinze de travessia, em dobro, e conforto conta.

O centro histórico de Colonia é todo de pedra irregular. É lindo e é plano, mas o piso é irregular mesmo. Vá com calçado bom e sem pressa. Os detalhes estão em bate-volta a Colonia del Sacramento.

Uma sugestão de ritmo para cinco dias

Dia 1: centro histórico de manhã, café longo, tarde livre. Tango à noite.
Dia 2: museus e Floralis. Tudo perto, tudo plano, muito banco.
Dia 3: bate-volta — Colonia ou a vinícola. Dia inteiro fora, mas sentada boa parte dele.
Dia 4: dia leve. Caminito de manhã, almoço demorado, tarde de compras ou descanso.
Dia 5: o que ela quiser repetir. Sempre tem alguma coisa que ela quer fazer de novo.

Note que não tem dia com dois passeios pesados. É proposital.

O que ninguém fala

Viajar com a mãe adulta é uma inversão estranha: você vira quem organiza, quem carrega, quem decide. E isso pode virar impaciência muito rápido se você não estiver atenta.

O que me ajuda é lembrar que o objetivo não é ver tudo. É estar junto vendo alguma coisa. A viagem que ela vai lembrar não é a do museu que a gente conseguiu encaixar — é a do bar de empanada que ela pediu.

Antes de embarcar, o que eu não dispenso

Seguro viagem. Viajando com pessoa mais velha, isso deixa de ser opcional na minha cabeça. Eu uso a Coris, e com o cupom ANDARILHAS você tem desconto: contrate aqui. Confira a cobertura e a faixa etária na contratação, porque as condições variam conforme a idade.

Internet. Se a viagem passa por mais de um país ou você quer desembarcar já conectada, o eSIM da Holafly resolve. Cupom ANDARILHAS: veja os planos. Ficando só na Argentina, o chip da agência já cobre.

Cartões. Eu uso Nomad e Wise. No Nomad, o cupom ANDARILHAS20 dá até 20 dólares de cashback ao abrir a conta. No Wise, pelo meu link você tem transferência de até R$ 3.000 sem tarifas.

Passeios e transfers. Eu fecho com a My Little Buenos Aires, cupom ANDARILHAS. Nessa viagem em específico, o transfer é o que mais economiza energia.

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Buenos Aires com a mãe não pede um roteiro mais fraco. Pede um roteiro mais bem distribuído. Menos itens por dia, mais tempo sentada, e espaço para o que ela quiser pedir no meio do caminho.

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