Istambul é a minha cidade favorita no mundo, e eu não falo isso da boca para fora. Voltei lá depois de dez anos, passei alguns dias explorando com amigos e os últimos completamente sozinha, e a sensação foi a mesma da primeira vez: é uma cidade mágica, cheia de camadas e a única do planeta que fica entre dois continentes, Europa e Ásia.

Se você tem três dias em Istambul, dá para conhecer muito bem o essencial sem correria. Neste post eu conto exatamente como organizei os meus dias, o que valeu a pena, o que dá para fazer sozinha e o que rendeu muito mais quando eu estava acompanhada de um guia que falava português. Se preferir escolher as atrações por conta própria, também tenho a lista completa do que fazer em Istambul.

Istambul em 3 dias: o resumo do roteiro

Antes do detalhe, o mapa geral. Organizei tudo por região, que é o único jeito de não perder o dia inteiro no trânsito de uma cidade com mais de 15 milhões de habitantes.

Interior da Santa Sofia, em Istambul
Interior da Santa Sofia

Dia 1: centro histórico (Sultanahmet). Santa Sofia, Cisterna da Basílica, Mesquita Azul, Hipódromo, Palácio de Topkapi e Grande Bazar.

Dia 2: Gálata, Karaköy e Bósforo. Praça Taksim, Avenida Istiklal, Torre de Gálata, Ponte Gálata, tour gastronômico em Karaköy, Galataport e passeio de barco no Bósforo ao entardecer.

Dia 3: lado asiático, Balat e banho turco. Mesquita de Çamlıca, Bazar de Especiarias, os bairros coloridos de Balat e Fener e um hammam para fechar.

Uma coisa importante antes de começar: todos os passeios guiados que fiz em Istambul foram com a agência O Melhor da Turquia, que é uma agência de brasileiros. Eles trabalham com passeios privativos, roteiro personalizado, transfers e também operam na Capadócia. Se você fechar qualquer coisa com eles, use o meu cupom ANDARILHAS.

Dia 1: o centro histórico de Istambul

O primeiro dia é o mais denso do roteiro, porque quase tudo que você já viu em foto está concentrado no bairro de Sultanahmet, a poucos minutos de caminhada um do outro.

Eu me hospedei em Taksim, que fica mais ou menos quinze minutos de carro do centro histórico, e fui de metrô. O transporte público de Istambul é excelente e resolve praticamente qualquer trajeto do roteiro.

Santa Sofia (Hagia Sophia)

Começar por Santa Sofia é começar pelo ponto alto. A construção que a gente vê hoje foi inaugurada no século 6, ou seja, tem quase 1.500 anos de história em pé.

O prédio já foi igreja e já foi mesquita mais de uma vez, porque todo mundo queria conquistá-la e cada conquista mudava a religião do lugar. Hoje ela funciona como mesquita e recebe visitantes turistas.

Duas coisas práticas que fazem toda a diferença:

Do lado de fora, não deixe de olhar os mosaicos bizantinos preservados na entrada, com Constantino e Justiniano.

Cisterna da Basílica

Logo ali do lado fica a Cisterna da Basílica, que é literalmente um reservatório de água subterrâneo construído para abastecer o palácio dos imperadores.

Parece pouco atraente descrito assim, e é justamente por isso que ele impressiona: é um lugar absurdamente bonito para guardar água. As colunas romanas usadas na estrutura eram consideradas entulho na época, restos de construções destruídas, e hoje sustentam um dos passeios mais fotogênicos da cidade. Procure a famosa cabeça de Medusa na base de uma das colunas.

Você entra por uma porta na rua e sai por outra, e a sensação de estar caminhando embaixo da cidade é muito estranha, no melhor sentido.

Mesquita Azul

A Mesquita Azul, ou Sultanahmet Camii, é uma mesquita em pleno funcionamento e a entrada é gratuita. As regras de visita:

O teto é a parte mais linda, e como a entrada é gratuita eu recomendo voltar em outro momento se pegar dia nublado, como foi o meu caso.

Bem em frente à mesquita, na antiga área do Hipódromo, está o Obelisco de Teodósio, um obelisco egípcio original trazido para Constantinopla no século 4. Vale a parada de cinco minutos.

Palácio de Topkapi

O Topkapi fica coladinho na Santa Sofia e na Mesquita Azul, então dá para encaixar tudo no mesmo dia.

Reserve algumas horas, porque ele é imenso: são jardins, pátios e uma sequência infinita de salas. As minhas favoritas foram a sala com as roupas dos sultões, coloridíssima, e a biblioteca do sultão, toda revestida de azulejos. O ingresso costuma incluir audioguia com opção em português, o que ajuda bastante se você estiver sem guia.

Uma parte que confunde muita gente é o Harém. Ele não era um bordel, como se costuma repetir por aí. Era a área privada da família do sultão, onde viviam a mãe dele, as esposas, as concubinas, os filhos e as criadas, com hierarquia rígida e circulação controlada. O quarto da mãe do sultão fica ao lado dos aposentos das concubinas justamente por isso: ela mandava naquele espaço.

Grande Bazar

Fecho o dia no Grande Bazar, que abre até o começo da noite e tem detector de metal na entrada. São milhares de lojas dentro de um labirinto coberto. As especialidades da casa são ouro, tapetes, lamparinas, cerâmica e réplicas de bolsas de grife, que são um capítulo à parte por lá.

A dica mais útil que recebi: não compre comida no Grande Bazar. Doces, temperos e chás saem melhores e mais baratos no Bazar de Especiarias, que entra no roteiro do dia 3.

E negocie sempre. Nunca pague o valor da etiqueta, chorar desconto faz parte da cultura local e quase sempre funciona.

Onde comer no dia 1

No centro histórico, procure as lokantas, que são restaurantes populares onde você escolhe uma carne e um acompanhamento no balcão. É onde os locais almoçam e o preço é uma fração do que se paga nos restaurantes com fachada turística. À noite, a Avenida Istiklal iluminada e fechada para carros é ótima para jantar, e o döner de frango das barraquinhas resolve a fome por muito pouco.

Colunas da Cisterna da Basílica, em Istambul
Cisterna da Basílica

Como contratar: esse dia inteiro é exatamente o city tour histórico que a agência O Melhor da Turquia opera com guia brasileiro. Além de furar fila nas atrações, você entende o que está vendo, que em Istambul faz muita diferença. Use o cupom ANDARILHAS.

Dia 2: Gálata, Karaköy e o Bósforo

O segundo dia é a Istambul moderna, que é linda de um jeito completamente diferente.

Praça Taksim e Avenida Istiklal

A Praça Taksim é uma espécie de coração do lado europeu novo, e dela sai a Istiklal, a principal avenida comercial da cidade. Tem loja de rua internacional, cafés e, principalmente, uma confeitaria atrás da outra.

A Turquia é um dos maiores produtores de pistache do mundo, ao lado do Irã e dos Estados Unidos, e é também um dos países que mais consome o próprio pistache. Resultado: tem pistache em tudo, e as vitrines de baklava são uma mais bonita que a outra.

Torre de Gálata

A Torre de Gálata é do século 14, construída pelos genoveses, e virou o cartão-postal do bairro.

Aqui vai a dica que mais economiza dinheiro no roteiro inteiro: dá para subir na torre pagando ingresso, mas os cafés da ruazinha em frente têm terraços com vista para a cidade e para a própria torre, o que na minha opinião rende foto melhor do que estar em cima dela. Meu guia me contou isso e eu fui conferir à noite, com a torre iluminada. Valeu muito mais a pena.

Cuidado só com um detalhe: os cafés e docerias colados na torre cobram bem mais caro que o resto da cidade pela mesma coisa. Provei a famosa cheesecake basca de São Sebastião ali e paguei quase o dobro do que ela custa em outros bairros.

Ponte Gálata

A Ponte Gálata é aquela imagem clássica dos pescadores enfileirados na amurada, com restaurantes no nível de baixo. É bem pitoresco e vale a caminhada. Se cruzar com um vendedor de sorvete turco, aceite que você vai ser enrolado. O show de fingir que entrega e puxar de volta faz parte do serviço, e você vai rir mesmo assim.

Tour gastronômico em Karaköy

Esse foi o meu passeio favorito da viagem inteira, e olha que a concorrência era alta.

Karaköy é um bairro de ruas estreitas e comida de rua boa de verdade. Fizemos um mini tour gastronômico com uma guia especialista em gastronomia e provamos:

Se você é vegetariana como eu, fica tranquila. Sopa de abóbora, de lentilha, pide de queijo, mezes, homus e börek de espinafre aparecem em todo cardápio.

Galataport e o pôr do sol

O Galataport é a região renovada da beira da água, com restaurantes, lojas e vista para o centro histórico do outro lado. De lá dá para ver a silhueta da Santa Sofia e da Mesquita Azul ao longe, e é um dos melhores lugares para tomar um drink no fim do dia.

Aproveite para provar o künefe, que é uma massa fina em fio, tipo cabelo de anjo, com queijo derretido dentro e pistache por cima, servido quente. Comer com sorvete é a melhor decisão que você vai tomar na viagem. Também procure o katmer, que é uma espécie de panqueca crocante de pistache com sorvete no meio, e que eu não consegui achar de novo no último dia. Já é motivo para eu voltar.

Passeio de barco no Bósforo

Terminar o dia navegando é a melhor forma de entender a geografia da cidade. De um lado do barco você está na Ásia, do outro na Europa, e passa por palácios, fortalezas e mesquitas na margem. Istambul tem mais de três mil mesquitas, e é do barco que isso fica óbvio: você passa por uma atrás da outra.

Existem duas versões do passeio. O coletivo é bem mais barato e funciona muito bem. O privativo, que foi o que eu fiz, é mais caro mas você escolhe o horário, o que faz diferença se quiser pegar o pôr do sol exato.

Banca de temperos no Bazar de Especiarias, em Istambul
Bazar de Especiarias de Istambul

Como contratar: tanto o tour gastronômico em Karaköy quanto o passeio de barco no Bósforo são passeios da O Melhor da Turquia. Foram os dois que mais me surpreenderam na viagem. Cupom ANDARILHAS.

Dia 3: lado asiático, Balat e hammam

O terceiro dia é o que quase todo roteiro de três dias corta, e é justamente o que faz você sentir que conheceu a cidade e não só os cartões-postais.

Mesquita de Çamlıca

A Grande Mesquita de Çamlıca fica no lado asiático e é a maior da Turquia. O estacionamento dela sozinho já dá ideia da escala.

O que mais me marcou não foi o tamanho, foi o projeto. Ela foi assinada por duas arquitetas mulheres e é considerada uma mesquita amiga das mulheres, porque reservou andares inteiros para que elas rezem com espaço de verdade, algo que não acontece na maioria das mesquitas, onde a área feminina é minúscula. Também há espaço pensado para as crianças. Valem as mesmas regras das outras mesquitas: sapatos fora, cabelo coberto, ombros e joelhos cobertos.

Bazar de Especiarias

É aqui que você compra o que vai levar para casa: temperos, chás turcos, delícias turcas, castanhas, frutas secas, óleos essenciais e perfumes que eles montam na hora no potinho.

É bem menor que o Grande Bazar e muito mais gostoso de andar. Também é onde a abordagem dos vendedores é mais insistente, incluindo cantada, o que foi a única situação chata que vivi na cidade inteira. Nada perigoso, apenas irritante, na mesma medida do que acontece em qualquer mercadão grande do Brasil.

Balat e Fener

Esses dois bairros vizinhos são a parte mais instagramável de Istambul: casas coloridas, escadarias pintadas, cafés com guarda-chuvas pendurados, brechós e lojinhas de antiguidades.

Fui sozinha, de ônibus, e passei o dia inteiro me perdendo pelas ruas. A ideia aqui não é cumprir lista, é entrar nos cafés, garimpar nas lojinhas e fotografar. Foi onde fiz todas as minhas compras pessoais da viagem. Um aviso simpático: os gatos de Istambul estão em todo lugar. Dentro das lojas, dentro das mesquitas, em cima das mesas dos cafés. Faz parte.

Banho turco (hammam)

Fechar a viagem com um hammam é quase obrigatório, e eu saí de lá dizendo que tomaria aquele banho todo mês.

Funciona assim: você faz cerca de dez minutos de sauna, depois uma atendente esfolia o seu corpo inteiro com bastante força, você deita em um mármore aquecido e recebe uma massagem com espuma, e termina em uma área de relaxamento. A única parte que eu não gostei foi a água gelada do final.

Leve biquíni ou sunga. Se não levar, eles fornecem descartável. Na maioria das casas não é permitido filmar dentro.

Como contratar: o passeio pelo lado asiático com a mesquita de Çamlıca, a visita ao Bazar de Especiarias e o agendamento do hammam também entram nos serviços da O Melhor da Turquia, que ainda faz roteiro personalizado se você quiser montar os três dias do seu jeito. Cupom ANDARILHAS.

Dicas práticas para os seus 3 dias em Istambul

Brasileiro não precisa de visto. A entrada é só com passaporte para turismo de até 90 dias. Confirme a validade mínima exigida do seu passaporte antes de viajar, porque essa regra é mais rígida do que a de muitos outros países.

Transporte. Compre o cartão de transporte em qualquer estação, ele funciona em metrô, bonde, ônibus e balsa. Também dá para pagar com cartão de crédito por aproximação, que sai um pouquinho mais caro por viagem mas evita a compra do cartão se você fica poucos dias.

Táxi. Esse é o único ponto real de atenção da cidade. Golpe de taxista com turista é comum, e eu mesma caí em um há dez anos. Prefira aplicativo. A polícia tem feito blitz nos táxis justamente por causa disso.

Segurança. Istambul é muito segura, inclusive para mulheres viajando sozinhas. Passei os últimos dias sozinha, andando de ônibus e metrô, e não tive um momento de medo. Achei mais tranquila do que várias capitais europeias.

Melhor época. Primavera, de março a maio, e outono, de setembro a novembro, são as melhores janelas: clima ameno, menos gente e preços melhores. Eu fui em novembro e peguei chuva e frio, o que não estragou nada mas me fez perder algumas fotos.

Seguro viagem. Não viaje sem. Além de cobrir imprevisto médico, cobre bagagem e cancelamento, e o custo por dia é irrisório perto do risco.

Internet. Um eSIM resolve a viagem inteira sem precisar procurar chip local no aeroporto. Você ativa antes de sair do Brasil e chega com internet funcionando, o que faz falta logo no primeiro trajeto do aeroporto.

Para escolher o bairro e o hotel, veja o post sobre onde ficar em Istambul. E se você prefere não montar nada por conta, expliquei como funciona fechar com uma agência brasileira na Turquia.

Antes de embarcar, confira também a regra de validade do passaporte no post sobre visto para a Turquia, que é onde a maioria das pessoas é barrada no check-in.

Perguntas frequentes sobre o roteiro em Istambul

Três dias em Istambul são suficientes?
Para conhecer os principais pontos turísticos com calma, sim. Se puder esticar para quatro ou cinco, você ganha o lado asiático com mais folga e um dia inteiro só de Balat. Comparei todos os cenários no post sobre quantos dias ficar em Istambul.

Vale a pena contratar guia em Istambul?
Na minha opinião, no dia do centro histórico vale muito. A cidade tem camadas de história bizantina e otomana que você simplesmente não enxerga sozinha, e o guia ainda dá acesso a filas separadas nas atrações mais concorridas.

Dá para fazer Istambul e Capadócia na mesma viagem?
Dá, e é o que a maioria dos brasileiros faz. A Capadócia fica pouco mais de uma hora de voo e pede pelo menos dois dias, principalmente por causa do passeio de balão. Montei a divisão de dias no roteiro de Istambul e Capadócia.

Istambul é cara?
Comparada a capitais da Europa, não. Comida de rua, transporte e ingressos custam bem menos. O que pode surpreender são os bares e restaurantes das áreas mais badaladas, que cobram preço de Europa Ocidental.

Assista ao vlog completo de Istambul

Antes de fechar a sua viagem

Passeios na Turquia: todos os meus passeios em Istambul foram com a agência brasileira O Melhor da Turquia, que também opera na Capadócia e monta roteiro personalizado. Use o cupom ANDARILHAS.

Seguro viagem: eu uso a Coris em todas as viagens internacionais. Contrate pelo link da Coris e use o cupom ANDARILHAS.

Chip internacional e eSIM: para chegar com internet funcionando, eu uso a Holafly. Use o link da Holafly com o cupom ANDARILHAS.

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