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Quase todo mundo que escreve sobre o bate-volta a Colonia del Sacramento dá o mesmo conselho: pegue o primeiro barco da manhã e volte no das 17h.

Eu fiz o contrário. Saí de Buenos Aires ao meio-dia e voltei no barco da noite. E é por isso que esse post existe, porque foi a melhor decisão da viagem inteira.

Com o barco das 17h você passa o dia em Colonia e vai embora antes da parte mais bonita. Com o barco das 20:30, você fica para o pôr do sol sobre o Rio da Prata, que é o cartão-postal da cidade e a razão pela qual as pessoas se apaixonam por ela. Eu tomei vinho na beira do rio vendo o sol se pôr, e depois embarquei de volta.

Vale a pena? Vale muito. Deixa eu explicar tudo.

Por que Colonia parece uma cidade brasileira

A primeira coisa que eu pensei quando pisei nas ruas de pedra foi: isso aqui é Paraty.

Não é impressão. Colonia del Sacramento foi fundada em 1680 por Manuel Lobo, governador português do Rio de Janeiro. Era um posto avançado de Portugal do outro lado do Rio da Prata, bem em frente à Buenos Aires espanhola, e passou mais de um século sendo disputada entre as duas coroas, trocando de mãos várias vezes.

Por isso o casario tem jeitinho português. Por isso as ruas de pedra irregular lembram Ouro Preto e Paraty. Você não está tendo um déjà-vu — você está vendo arquitetura colonial portuguesa, a mesma que construiu as cidades históricas brasileiras.

O Barrio Histórico é Patrimônio Mundial da UNESCO, e é isso que você vai percorrer.

A travessia: o que esperar

A duração. Cerca de 1h15 de barco pelo Rio da Prata. É rápido e confortável.

É mudança de país, então tem burocracia. Imigração, raio-x, documento. Você sai da Argentina e entra no Uruguai de manhã, e faz o processo inverso à noite — dá para colecionar quatro carimbos num único dia. Chegue com antecedência ao terminal, porque não é como pegar ônibus rodoviário: existe check-in e fila.

Documento. Leve o mesmo documento que você usou para entrar na Argentina. Brasileiro circula no Mercosul com RG em bom estado, mas se o seu está gasto ou antigo, o passaporte evita discussão. Confirme as regras vigentes antes de viajar.

O barco é grande. Tem free shop a bordo, casa de câmbio, cafeteria, banheiro e poltronas reclináveis. Existem categorias de tarifa diferentes — nós fomos na executiva, e eu fiz questão porque estava viajando com a minha mãe.

De onde sai. A Buquebus opera do terminal em Puerto Madero. A Colonia Express sai de outro terminal, na região da Boca. Confira qual é o seu antes de chamar o carro, porque ficam em pontas opostas.

O passeio, hora a hora

Chegando em Colonia, a gente fez um tour guiado de cerca de uma hora e depois ficou livre para caminhar.

Essa combinação funciona bem. A cidade é pequena o suficiente para você se virar sozinha, mas as histórias — a disputa entre portugueses e espanhóis, a origem de cada rua, o porquê do traçado irregular — você só tem com guia. Depois disso, o resto do dia é seu.

O que você vai ver: ruelas de pedra, casario colonial baixo e colorido, praças arborizadas, carros antigos parados nas esquinas como se fossem parte do cenário, e mesinhas coloridas de bar espalhadas pelas calçadas. Colonia é uma cidade fofa, no sentido literal da palavra. Dá vontade de fotografar cada esquina.

O almoço. No pacote que eu fiz, o almoço estava incluído, com entrada e sobremesa. Comi milanesa com fritas, que é o prato mais uruguaio possível.

O sorvete. Preciso registrar: tomei um sorvete de doce de leite com alfajor que estava insano. Se você gosta de doce de leite tanto quanto eu, procure sorveteria.

E então o pôr do sol. A cidade fica de frente para o rio, e o sol se põe na água. A gente foi para a beira do Puerto de Yates, sentou com uma taça de vinho e viu. É simples assim, e é o motivo do post inteiro.

A escolha de horário que muda o passeio

Essa é a informação prática mais importante daqui.

O bate-volta costuma ter duas configurações:

Saída de manhã, volta às 17h. Você tem o dia inteiro em Colonia, mas embarca de volta antes do fim da tarde. É a opção de quem quer estar em Buenos Aires para jantar.

Saída ao meio-dia, volta às 20:30. Você tem menos horas de dia, mas fica para o entardecer e o pôr do sol. Foi a que eu escolhi.

Os horários exatos variam conforme a temporada, então confirme na reserva. Mas a lógica se mantém: se você só vai a Colonia uma vez na vida, o pôr do sol vale mais do que as duas horas extras de sol a pino.

A ressalva honesta: se você viaja com criança pequena, se cansa fácil ou tem jantar marcado em Buenos Aires, o barco das 17h é mais sensato. E no inverno, quando escurece cedo, a diferença entre os dois horários diminui bastante.

Vale a pena mesmo, ou é turismo de carimbo?

Existe uma crítica legítima ao bate-volta: são cinco a seis horas líquidas na cidade, descontando imigração, e algumas pessoas acham pouco.

Eu discordo, com uma condição. Colonia é genuinamente pequena — o Barrio Histórico se percorre a pé com folga em uma tarde. Você não vai sair de lá com a sensação de ter arranhado a superfície de uma cidade grande. Vai sair com a sensação de ter visto o que havia para ver, com calma.

O que não cabe no bate-volta é o entorno: as vinícolas da região, as praias fluviais no verão, o ritmo de acordar ali. Se isso te interessa, durma uma noite. E se você está montando os outros bate-voltas que saem de Buenos Aires, veja também Campanópolis e a Vinícola Gamboa.

Para todo mundo que tem cinco dias ou mais em Buenos Aires e quer um dia diferente, o bate-volta resolve muito bem.

Como reservar

Dá para montar por conta própria: você compra a passagem direto no site da Buquebus ou da Colonia Express e se vira em Colonia.

Eu preferi fechar o pacote com a My Little Buenos Aires, que incluía transfer do hotel até o terminal, as passagens de balsa, o city tour guiado e o almoço. Usando o cupom ANDARILHAS você tem desconto. Quem fecha passeio com eles ainda recebe adaptador de tomada e chip de celular.

A vantagem de ir com pacote não é preço, é não ter que resolver quatro coisas separadas num dia que já tem imigração no meio. A vantagem de ir por conta é liberdade total de horário.

Perguntas frequentes

Preciso trocar dinheiro para pesos uruguaios?
Ajuda, mas em Colonia muitos lugares aceitam dólar e peso argentino. Há casa de câmbio no próprio terminal e a bordo.

Dá para ir e voltar no mesmo dia sem correria?
Dá. É exatamente o formato do passeio, e a cidade tem tamanho compatível com isso.

Qual empresa é melhor, Buquebus ou Colonia Express?
A Buquebus é a mais tradicional, tem barcos maiores e mais horários. A Colonia Express costuma sair mais barato. As duas fazem a travessia em tempo parecido.

Que dia da semana é melhor?
De segunda a quinta há menos gente. Fim de semana e feriado enchem, e as tarifas mais baratas esgotam primeiro.

Precisa comprar com antecedência?
Sim, principalmente em férias e feriados. As classes tarifárias mais em conta acabam antes.


Colonia del Sacramento é a coisa mais fácil de encaixar num roteiro de Buenos Aires: um dia, um barco, e você volta com carimbo do Uruguai e uma cidade nova na conta.

Só não volte às 17h.

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